Estou andando sobre as ruínas do que foi meu mundo
Olhando ali e aqui um pedaço de algum sentimento,
Um resquício de alguma emoção, e, mesmo sem razão,
Não obtenho mais que novas feridas a cada segundo.
Estive muito tempo sozinha, sem rumo;
Nunca provei o sabor da infância, vivi presa num mesmo refrão,
Fadada à constante ignorância, quase perdi meu coração.
Sempre escondida atrás de válvulas de escape,
Fugindo de qualquer tormento, a qualquer momento
Eu podia ver que, na verdade, meu mundo quebrado
Jamais esteve inteiro para que eu pudesse consertá-lo.
A questão é não olhar à volta e lamentar as ruínas
Mas aprender a viver e construir um novo lar
Não onde haja risco de desabamento, mas aqui dentro
No fundo de mim mesma, onde ninguém poderá arruinar
A não ser com meu consentimento.
(Annelise Bengtsson)
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