segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Para você, MaTT

Você sempre será para mim como a água;
Pode matar minha sede, pode refrescar minha pele,
Mas jamais poderá ficar em minhas mãos
Sem que eu o sinta deslizar por entre meus dedos.

Assim, entretanto, somos todos;
Jamais presos nas palmas de alguém,
Mas em constante movimento,
Nós voltamos àqueles que gostamos.

Se não fosse essa ausência,
Teríamos sede para saciar
E prazer ao refrescar?

A beleza de um romance
Não está na possessão ou no nome que lhe damos,
Mas naquele instante de sede e saudade
E no prazer daquele momento de reencontro.

(Annelise Bengtsson)

Fênix

Estou andando sobre as ruínas do que foi meu mundo
Olhando ali e aqui um pedaço de algum sentimento,
Um resquício de alguma emoção, e, mesmo sem razão,
Não obtenho mais que novas feridas a cada segundo.

Estive muito tempo sozinha, sem rumo;
Nunca provei o sabor da infância, vivi presa num mesmo refrão,
Fadada à constante ignorância, quase perdi meu coração.
Sempre escondida atrás de válvulas de escape,
Fugindo de qualquer tormento, a qualquer momento
Eu podia ver que, na verdade, meu mundo quebrado
Jamais esteve inteiro para que eu pudesse consertá-lo.

A questão é não olhar à volta e lamentar as ruínas
Mas aprender a viver e construir um novo lar
Não onde haja risco de desabamento, mas aqui dentro
No fundo de mim mesma, onde ninguém poderá arruinar
A não ser com meu consentimento.

(Annelise Bengtsson)

sábado, 3 de dezembro de 2011

História Inacabada


O dia surge, tão velho quanto minhas dores,
Uma repetição como meus pensamentos
E os resquícios de uma noite insana
Que não substituiu velhas presenças.
(Annelise Bengtsson)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

In Absentia

Um nome sem identidade, um verso sem razão
Numa pura inconsciência, saudade sem consistência
Daquele rosto que, de antes, só resta especulação
Dentre um torcer de lábios - não se consegue olhar!
Diálogo de caridade e aquele roçar de mãos.

Há certa graça na desgraça
É o equilíbrio teórico, utópico
Que resulta nos mais intensos contrastes
E não importa o que se faça ou peça
É o desgaste que embeleza.
Depois, sem querer, tornará-se louco
Quando puder ver nos feixes de ouro
Que o Sol brilha por estar queimando.


(Annelise Bengtsson)