segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Para você, MaTT

Você sempre será para mim como a água;
Pode matar minha sede, pode refrescar minha pele,
Mas jamais poderá ficar em minhas mãos
Sem que eu o sinta deslizar por entre meus dedos.

Assim, entretanto, somos todos;
Jamais presos nas palmas de alguém,
Mas em constante movimento,
Nós voltamos àqueles que gostamos.

Se não fosse essa ausência,
Teríamos sede para saciar
E prazer ao refrescar?

A beleza de um romance
Não está na possessão ou no nome que lhe damos,
Mas naquele instante de sede e saudade
E no prazer daquele momento de reencontro.

(Annelise Bengtsson)

Fênix

Estou andando sobre as ruínas do que foi meu mundo
Olhando ali e aqui um pedaço de algum sentimento,
Um resquício de alguma emoção, e, mesmo sem razão,
Não obtenho mais que novas feridas a cada segundo.

Estive muito tempo sozinha, sem rumo;
Nunca provei o sabor da infância, vivi presa num mesmo refrão,
Fadada à constante ignorância, quase perdi meu coração.
Sempre escondida atrás de válvulas de escape,
Fugindo de qualquer tormento, a qualquer momento
Eu podia ver que, na verdade, meu mundo quebrado
Jamais esteve inteiro para que eu pudesse consertá-lo.

A questão é não olhar à volta e lamentar as ruínas
Mas aprender a viver e construir um novo lar
Não onde haja risco de desabamento, mas aqui dentro
No fundo de mim mesma, onde ninguém poderá arruinar
A não ser com meu consentimento.

(Annelise Bengtsson)